Se você, como eu, cresceu vendo os filmes da Disney, sabe como as princesas são (ou eram) retratadas nas histórias produzidas pela empresa. Branca de Neve, Cinderela, Bela, Bela Adormecida, Ariel… todas elas tinham uma coisa em comum: eram mocinhas passivas, aguardando o verdadeiro amor na forma de um príncipe galante para salvá-las dos apuros causados por bruxas e madrastas invejosas e malvadas. Mas os tempos são outros, e nem todas as princesas da ficção (e da vida real) esperam ser felizes para sempre com sua cara metade, e o que é pior, elas causam seus próprios problemas. Esse é o grande atrativo e mérito de Valente. Merida, a protagonista, é rebelde, lutadora, teimosa e imperfeita. Uma princesa humana, finalmente.
O filme segue a fórmula consagrada pela Pixar, que reinventou os filmes da Disney: é uma fábula com elementos para conquistar tanto as crianças ávidas por animações quanto os adultos que as levam ao cinema. Na história, Merida é uma linda princesa com cabelos ruivos desgrenhados que está sendo preparada pela mãe para ser a princesa perfeita. Mas ela prefere cavalgar, escalar montanhas, caçar com o arco e explorar as paisagens do reino – nunca é citado exatamente em qual país se passa a história, mas as origens irlandesas do universo do filme são inegáveis.
Quando a família de Merida organiza um torneio para escolher seu futuro marido, a princesa se rebela e ganha sua própria mão. Daí se segue uma briga enorme com a mãe, o encontro com uma feiticeira que pode alterar seu destino e… bom, o resto eu deixo que vocês confiram, não vou estragar a surpresa.
O filme é ótimo. A mensagem que passa para as meninas que são bombardeadas por padrões de beleza inalcançáveis é valiosa. E a maneira com que a dinâmica entre mãe e filha é explorada é muito sensível e bonita – daquele jeito que dá vontade de sair correndo pra abraçar a nossa própria mãe. Tem elementos de outros filmes da Disney, e é tão competente para emocionar quanto. Vi a versão legendada, com as vozes de Emma Thompson e Kelly McDonald, duas atrizes que adoro, e fiquei muito feliz com o resultado. As duas são ótimas. Valente é fofo, é querido, é bem feito, é um filme que vale a pena – tanto para as princesas pequenas quanto para as mais crescidinhas!