Segunda do Cinema: Histórias Cruzadas

The Help Movie

A sociedade em que a gente vive hoje em dia não é perfeita: ainda existe racismo sim*, e as mulheres sofrem discriminação de gênero no ambiente de trabalho. Mas podemos dizer que tivemos GRANDES avanços nos últimos anos. Se levarmos em consideração que há pouco mais de 50 anos negros não podiam nem usar o mesmo banheiro que os brancos, temos muito a comemorar. E vale sempre lembrar o quanto as pessoas já sofreram por ter uma cor de pele diferente para aprender com os erros do passado. E que erros! Assistir “Histórias Cruzadas” é um soco no estômago para quem tem um mínimo de sensibilidade e acredita que todos são iguais.

O filme, que surgiu com força nessa temporada de premiações, mostra um pouco da ignorância em que o sul dos Estados Unidos estava afogado no início dos anos 60. Os conflitos raciais da época foram largamente divulgados e hoje fazem parte dos livros de história, mas tem um ponto de vista que nunca foi explorado até agora: como era a vida das mulheres negras que trabalhavam nas casas de brancos? As babás, faxineiras, cozinheiras? Pessoas que criavam crianças brancas como se fossem suas só para depois serem discriminadas por elas também. Dureza.

E é uma escritora recém-formada, interpretada por Emma Stone, que é quem coloca essa história no papel. Triste com a partida de sua própria babá e incumbida de escrever uma coluna sobre cuidados domésticos para um jornal, ela se aproxima de outras empregadas para contar essa história. A história mais triste do mundo. Os absurdos no tratamento com essas mulheres doem na alma, e são reforçados pelas esplêndidas interpretações de Viola Davis e Octavia Spencer, que merecem todos os prêmios do mundo. E o filme ainda tem a vilã mais tenebrosa da história do cinema, vivida por Bryce Dallas-Howard. Se fosse vilã de novela nacional, a moça estaria apanhando na fila do supermercado diariamente.

A história é linda, bem contada, bem realizada, com excelentes interpretações. Vale cada um dos mais de 140 minutos que a gente passa no cinema. Faz chorar, faz sorrir, faz sentir. E não é isso que a gente busca quando vê um filme? É obrigação de toda mulher assistir Histórias Cruzadas, e agradecer por viver em outros tempos.

* No tapete vermelho do Golden Globe desse ano, uma repórter perguntou a Octavia Spencer, indicada a melhor atriz coadjuvante, como ela tinha feito para escolher o vestido, já que dezenas de estilistas mandam seus modelos às indicadas. Octavia, muito franca, disse que não teve problema nenhum, já que ninguém mandou vestido nenhum pra ela. Nessa noite, ela ganhou o prêmio, sambou na cara do mundo da moda e deixou alguns criadores bem arrependidos de a terem ignorado.

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